Vacinas para Creche para Cães: o Que a Lei Exige e o Que Nós Exigimos

Em Portugal existe uma única vacina obrigatória por lei para cães. Não é a da tosse do canil, apesar de ser essa que quase todos os espaços pedem. É a antirrábica. A diferença entre "obrigatório" e "exigido pelo hotel para cães" explica a confusão que chega ao balcão em julho, quando o tutor descobre que o boletim não serve.

Este texto arruma o assunto por ordem: a lei, depois o que a medicina recomenda, e por fim os prazos, que é onde quase toda a gente falha. Serve para a creche para cães e serve para o hotel para cães, porque as exigências são as mesmas.

A raiva é a única obrigatória, e traz coima

A Portaria n.º 264/2013 determina que todos os cães com três ou mais meses tenham vacina antirrábica válida. Um pormenor escapa: só é reconhecida se o animal tiver microchip registado no sistema de informação de animais de companhia. Sem registo, não vale perante as autoridades.

A falta constitui contraordenação. A coima começa nos cinquenta euros e vai até três mil setecentos e quarenta para pessoas singulares. Nenhuma creche para cães séria aceita um cão sem isto, e nós verificamos o boletim antes de cada entrada.

Tudo o resto — esgana, parvovirose, hepatite, leptospirose, tosse do canil — não é obrigatório por lei. É exigido por quem recebe o seu cão, seja creche para cães ou hotel para cães. E há boas razões.

O que uma creche para cães exige além da lei

As essenciais

As diretrizes revistas em 2024 pelo grupo de vacinação da associação mundial de veterinários de pequenos animais tratam como essenciais a esgana, a hepatite infecciosa e a parvovirose. A parvovirose mata mais de metade dos cachorros infetados no primeiro ano. Sem estas, nenhum cão entra na creche para cães nem no hotel para cães. Não há discussão a ter.

As de circunstância

A leptospirose não é considerada essencial a nível mundial, mas é bactéria de urina de roedor, transmite-se a pessoas, e num espaço com relva entra na conta. Pedimo-la. O mesmo para a tosse do canil, que a lei ignora e o bom senso não.

As que não pedimos

Não exigimos leishmaniose nem esterilização. Nenhuma protege o grupo, e um hotel para cães que as exige filtra clientes, não protege cães.

Prazos para entrar no hotel para cães

Aqui está o que raramente lhe dizem. Vacinar na véspera da entrada no hotel para cães não serve de quase nada: o sistema imunitário precisa de tempo, e nenhum hotel para cães o pode acelerar.

A intranasal contra a Bordetella é a exceção parcial: Gore e colegas, no Veterinary Record em 2005, demonstraram proteção contra desafio experimental entre as quarenta e oito e as setenta e duas horas. É rápida. Mas um trabalho posterior de Ellis não detetou anticorpos de mucosa antes de vinte e um dias após a primeira dose — a proteção inicial virá de mecanismos inespecíficos, não da imunidade esperada.

A leitura prudente: duas semanas de margem, sempre, para a creche para cães e para o hotel para cães. Se a estadia é em agosto, o telefonema ao veterinário faz-se em julho. E se o cão nunca levou a injetável da Bordetella, precisa de duas doses com intervalo mínimo de duas semanas. Isso muda o calendário todo.

Quem frequenta a creche para cães durante o ano tem isto resolvido de véspera, porque o boletim já está em dia. É mais uma razão para a creche para cães e o hotel para cães andarem juntos.

O cachorro que ainda não terminou o esquema

É o caso mais delicado que nos chega, e o que mais ansiedade gera a quem quer creche para cães desde cedo.

As diretrizes de 2024 recomendam iniciar as vacinas essenciais entre as seis e as oito semanas, repetir de duas em duas ou de quatro em quatro semanas, e dar a última dose às dezasseis semanas ou mais tarde. Depois, nova dose às vinte e seis semanas, ou serologia quatro semanas após a última — mudança face ao antigo reforço ao ano de idade.

Enquanto os anticorpos da mãe circulam, neutralizam a vacina. Existe por isso uma janela em que o cachorro já não está protegido pela mãe e ainda não está protegido pela vacina. Nenhuma creche para cães honesta o recebe nessa janela, e nenhum hotel para cães tampouco. Nós não recebemos, por muito que o tutor insista.

Isto não significa isolar o cachorro. Significa socializá-lo em ambiente controlado, com cães de estado vacinal conhecido — trabalho que fazemos no treino canino, e que nada tem a ver com pô-lo num grupo de vinte na creche para cães.

Antes de marcar a estadia

Reúna três coisas antes de reservar o hotel para cães: o boletim com a antirrábica válida, o comprovativo do microchip, e a data exata da última dose contra a tosse do canil. Se a terceira lhe faltar, ligue ao veterinário hoje.

Depois traga cá o seu cãopanheiro, sem compromisso, e revemos o boletim consigo. Preferimos dizer-lhe em maio que falta uma dose a dizer-lhe em agosto que o hotel para cães não o pode receber.

Quero visitar a vossa creche para cães! Fale connosco pelo WhatsApp ou marque na página de contactos.